Artigos e Notícias Home » Artigos e Notícias » Refinarias Brasileiras - Parte 2
Refinarias Brasileiras - Parte 2
A mais recente refinaria brasileira iniciou sua operação em 1980, portanto nossas refinarias têm mais de 30 anos e foram projetadas para atender às condições da época e expectativas de futuro que se tinha.
(04/02/2010)
Durante a década de setenta o Brasil só refinava óleo leve, pois tanto a importação que correspondia a 85% do consumo nacional, quanto a produção dos 15% restantes, era desse tipo de produto.
Nos anos oitenta com as grandes descobertas da Bacia de Campos criou-se um problema de refino uma vez que a produção nacional passou a ser de petróleo pesado e ultra pesado. Embora tenha havido adaptações nas refinarias, ainda hoje é necessário importar óleo leve para equacionar o refino de petróleo, sendo que utilizamos 80% de óleo pesado nacional e 20% de óleo leve importado. As novas refinarias e as adaptações naquelas em operação estão sendo dimensionadas para processar o petróleo pesado nacional, mas também atenderão às recentes descobertas do pré-sal, que é um óleo tipo médio (tabela 1).
TABELA 1- Classificação da Petrobrás de grau API (medida de densidade do petróleo)
TIPO DE PETRÓLEO |
GRAU API |
EXEMPLOS DE PETRÓLEO |
VALOR US$ |
Asfalto |
< 15 |
|
|
Ultra pesado |
15 – 20 |
Maior parte do petróleo brasileiro atual |
|
Pesado |
20 – 25 |
Maior parte do petróleo brasileiro atual |
|
Médio |
25 -35 |
Pré-sal brasileiro |
|
Leve |
35 – 40 |
Petróleo árabe (!??) |
|
Extra leve |
40 – 45 |
|
|
Condensado |
> 45 |
Petróleo Urucu (AM) |
Outra questão é que as refinarias foram dimensionadas para produzir gasolina e óleo combustível. Atualmente o consumo daquele combustível tem diminuído continuamente perdendo mercado para o etanol e para o GNV, este em menor parte. O óleo combustível usado em indústrias não é um produto que se deseja produzir numa refinaria porque tem valor menor que o óleo cru (quando o material que entra na refinaria é mais caro que o material gerado caracteriza-se perda financeira); e tende a ser substituído pelo gás natural que é mais abundante e menos poluente.
Ao longo do tempo foram feitas várias adequações no esquema de refino para produzir derivados de acordo com a demanda de mercado (gráfico 1) mas percebe-se que deve haver um incremento na produção de diesel pois atualmente o país não atende a demanda e é importador do produto. Embora o Brasil tenha dimensões continentais, o modal brasileiro acompanha o norte americano e é preponderantemente rodoviário. Como o consumo de diesel acompanha o crescimento do PIB e há expectativa de crescimento da economia, aliado às novas exigências de se produzir diesel com menor teor de enxofre, é grande a tendência de aumento do consumo do produto.
GRAFICO 1- Produção Nacional de Derivados 2008

Fonte: http://www2.petrobras.com.br/minisite/refinarias/portugues/graficoPnd.asp
Portanto as novas refinarias e aquelas em processo de readequação devem atender a situação do mercado atual e também fazer previsões acertadas do que acontecerá no futuro.
Eng. Silvia Guimarães
silvia.pros@hotmail.com

